O segundo turno das eleições acontece no próximo domingo, 25 de outubro, com disputa para presidente e para governador em seis estados e no Distrito Federal. Neste período, muitos eleitores voltam a conferir se o título está em dia, especialmente quem não votou no primeiro turno e precisa justificar a ausência.
Nas últimas semanas, a equipe de pesquisa da ESET analisou um site falso que se passava pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e prometia uma "consulta de situação eleitoral". Na prática, a página informava a todos os visitantes que existiam débitos em aberto com a Justiça Eleitoral e oferecia uma forma rápida de quitá-los: um Pix que não tinha como destino o Tesouro Nacional. O endereço analisado já saiu do ar, mas é apenas um exemplo de uma campanha que pode reaparecer, com a mesma estrutura, em outras URLs.
Neste artigo, usamos esse caso para mostrar passo a passo como o golpe funciona, quais sinais indicam que se trata de uma fraude e o que fazer caso você já tenha feito o pagamento.
Como funciona o golpe
No caso analisado, o site estava hospedado no endereço tsejus***[.]online*, um domínio que tenta imitar o nome do tribunal, mas que não pertence à Justiça Eleitoral. Nesse tipo de campanha, os criminosos costumam reutilizar a mesma página em novos domínios, com nomes igualmente parecidos com o do TSE. Por isso, mais do que memorizar um endereço específico, vale reconhecer a estrutura do golpe. A página inicial trazia o título "Consulta de Situação Eleitoral", um campo para informar o CPF e uma mensagem tranquilizadora: "Seus dados são protegidos".
1. A consulta exibe dados verdadeiros
Ao informar um CPF, a vítima é levada a uma tela chamada "Dados do Eleitor". O que chama a atenção é que a página exibe o nome completo da pessoa, o CPF e campos mascarados para título de eleitor, zona e seção, o que reforça a impressão de que se trata de uma consulta oficial.
Imagem 1. Site falso que se faz passar pelo TSE.
Na tela seguinte, além do nome, também aparece o campo “nome da mãe” do titular do CPF. Em nossos testes, essas informações correspondiam a dados reais. Não foi possível confirmar de onde o site obtém essas informações, mas o fato de exibir dados verdadeiros indica que os criminosos têm acesso a alguma base com informações pessoais de cidadãos brasileiros, possivelmente originada de vazamentos de dados anteriores. E isso torna o golpe muito mais convincente.
2. CPF com débitos eleitorais
Ao clicar em Continuar, a vítima chega à tela "Situação do Título Eleitoral", que informa a existência de débitos eleitorais em aberto, com o selo "PENDENTE" em destaque. A cobrança é dividida em três itens:
- Multa por ausência eleitoral: R$ 26,00
- Encargos legais e administrativos: R$ 14,90
- Taxa de regularização cadastral: R$ 7,00
- Total consolidado: R$ 47,90
Logo abaixo, uma notificação “oficial” de pendência eleitoral tenta pressionar a vítima com ameaças como a suspensão do direito ao voto, o impedimento de participar das próximas eleições, a impossibilidade de acessar programas e benefícios governamentais e restrições em serviços que exigem situação eleitoral regular.
O detalhe mais importante: em todos os CPFs válidos que consultamos, o site indicou que o título estava em situação irregular e apresentou exatamente a mesma cobrança. Ou seja, não existe consulta real à situação eleitoral. Qualquer pessoa que acesse a página será informada de que deve dinheiro à Justiça Eleitoral.
3. O pagamento via Pix
Ao clicar em "Quitar débitos agora", a vítima é levada à tela de pagamento via PIX, com um QR Code, a opção Pix Copia e Cola e um botão para verificar pagamento. Uma mensagem de "Aguardando confirmação do pagamento" completa a encenação.
Ao inserir o código no aplicativo do banco, o recebedor exibido não é o Tesouro Nacional, e sim uma empresa com sede em Curitiba. Não foi possível confirmar para quem o valor é efetivamente repassado, nem se essa empresa tem relação com a fraude ou se atua apenas como intermediária de pagamentos. O que se pode afirmar é que o dinheiro não vai para a Justiça Eleitoral.
Um golpe que já é conhecido
Esse não é o primeiro golpe do tipo em 2026. Em abril, o próprio TSE alertou para mensagens de WhatsApp que informavam supostas pendências no título de eleitor e levavam a páginas falsas com uma estrutura muito parecida: consulta por CPF, lista de débitos com multa por ausência, encargos e regularização cadastral e um QR Code para pagamento via Pix. Na época, o valor cobrado era de R$ 66,80.
O exemplo que analisamos repete a mesma fórmula, com um valor menor e um elemento extra de credibilidade, a exibição de dados pessoais reais da vítima. O segundo turno torna a fraude ainda mais convincente: quem faltou às urnas em 4 de outubro pode, de fato, ter uma pendência a resolver, e a cobrança falsa se aproveita justamente dessa dúvida.
Vale lembrar que, nesse caso, a regularização é simples e gratuita: o eleitor que não votou no primeiro turno tem até 3 de dezembro para justificar a ausência pelo aplicativo e-Título, pelo portal Título Net ou em um cartório eleitoral. Para o segundo turno, o prazo vai até 8 de janeiro de 2027. Só quem não justificar dentro do prazo fica sujeito à multa, de R$ 3,51 por turno, que deve ser paga exclusivamente pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral.
Como identificar este tipo de golpe
Alguns sinais deixam claro que sites como este não têm relação com a Justiça Eleitoral:
- O endereço não termina em “.jus.br ”. Os sites do Poder Judiciário usam obrigatoriamente esse domínio. O endereço oficial do TSE é “tse.jus.br”, e o portal da Justiça Eleitoral é www.justicaeleitoral.jus.br. Qualquer variação, como .online ou nomes com palavras juntas, é motivo para desconfiar.
- O valor da multa não confere. A multa real por ausência às urnas é de R$ 3,51 por turno em que o eleitor não votou nem justificou. O site falso cobra R$ 26,00 só por esse item, valor mais de sete vezes maior.
- Não existe taxa de regularização . Segundo o TSE, os serviços de regularização eleitoral são gratuitos, assim como a emissão do primeiro título, a transferência de domicílio e a atualização de dados.
- Todo CPF aparece com pendência. Se a situação de qualquer pessoa consultada é sempre irregular, com o mesmo valor, não há consulta de verdade.
- O recebedor do Pix não é o Tesouro Nacional. Quando uma multa eleitoral é paga por Pix pelos canais oficiais, o recebedor deve ser o Tesouro Nacional. Qualquer outro nome, seja de empresa ou de pessoa física, indica fraude.
- As ameaças são exageradas e urgentes . Mensagens que falam em perda de benefícios ou bloqueio de serviços públicos para pressionar um pagamento imediato são uma tática clássica de engenharia social.
O que fazer se você caiu no golpe
- Entre em contato com o seu banco pelos canais oficiais e solicite a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix. O prazo é curto, e a chance de recuperar o valor diminui com o tempo.
- Registre um boletim de ocorrência, que pode ser feito pela delegacia eletrônica da Polícia Civil do seu estado.
- Fique atento ao uso dos seus dados. Como o site já exibe informações pessoais reais, como nome completo e nome da mãe, há o risco de que esses dados sejam usados em outros golpes. Desconfie de contatos inesperados que mencionem essas informações para ganhar sua confiança e considere acompanhar se há contas, empréstimos ou cadastros abertos em seu nome.
Como se proteger?
O segundo turno das eleições acontece no próximo domingo, 25 de outubro, com disputa para presidente e para governador em seis estados e no Distrito Federal. Neste período, muitos eleitores voltam a conferir se o título está em dia, especialmente quem não votou no primeiro turno e precisa justificar a ausência.
Nas últimas semanas, a equipe de pesquisa da ESET analisou um site falso que se passava pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e prometia uma "consulta de situação eleitoral". Na prática, a página informava a todos os visitantes que existiam débitos em aberto com a Justiça Eleitoral e oferecia uma forma rápida de quitá-los: um Pix que não tinha como destino o Tesouro Nacional. O endereço analisado já saiu do ar, mas é apenas um exemplo de uma campanha que pode reaparecer, com a mesma estrutura, em outras URLs.
Neste artigo, usamos esse caso para mostrar passo a passo como o golpe funciona, quais sinais indicam que se trata de uma fraude e o que fazer caso você já tenha feito o pagamento.
Como funciona o golpe
No caso analisado, o site estava hospedado no endereço tsejus***[.]online*, um domínio que tenta imitar o nome do tribunal, mas que não pertence à Justiça Eleitoral. Nesse tipo de campanha, os criminosos costumam reutilizar a mesma página em novos domínios, com nomes igualmente parecidos com o do TSE. Por isso, mais do que memorizar um endereço específico, vale reconhecer a estrutura do golpe. A página inicial trazia o título "Consulta de Situação Eleitoral", um campo para informar o CPF e uma mensagem tranquilizadora: "Seus dados são protegidos".
1. A consulta exibe dados verdadeiros
Ao informar um CPF, a vítima é levada a uma tela chamada "Dados do Eleitor". O que chama a atenção é que a página exibe o nome completo da pessoa, o CPF e campos mascarados para título de eleitor, zona e seção, o que reforça a impressão de que se trata de uma consulta oficial.
Imagem 1. Site falso que se faz passar pelo TSE.
Na tela seguinte, além do nome, também aparece o campo “nome da mãe” do titular do CPF. Em nossos testes, essas informações correspondiam a dados reais. Não foi possível confirmar de onde o site obtém essas informações, mas o fato de exibir dados verdadeiros indica que os criminosos têm acesso a alguma base com informações pessoais de cidadãos brasileiros, possivelmente originada de vazamentos de dados anteriores. E isso torna o golpe muito mais convincente.
2. CPF com débitos eleitorais
Ao clicar em Continuar, a vítima chega à tela "Situação do Título Eleitoral", que informa a existência de débitos eleitorais em aberto, com o selo "PENDENTE" em destaque. A cobrança é dividida em três itens:
- Multa por ausência eleitoral: R$ 26,00
- Encargos legais e administrativos: R$ 14,90
- Taxa de regularização cadastral: R$ 7,00
- Total consolidado: R$ 47,90
Logo abaixo, uma notificação “oficial” de pendência eleitoral tenta pressionar a vítima com ameaças como a suspensão do direito ao voto, o impedimento de participar das próximas eleições, a impossibilidade de acessar programas e benefícios governamentais e restrições em serviços que exigem situação eleitoral regular.
O detalhe mais importante: em todos os CPFs válidos que consultamos, o site indicou que o título estava em situação irregular e apresentou exatamente a mesma cobrança. Ou seja, não existe consulta real à situação eleitoral. Qualquer pessoa que acesse a página será informada de que deve dinheiro à Justiça Eleitoral.
3. O pagamento via Pix
Ao clicar em "Quitar débitos agora", a vítima é levada à tela de pagamento via PIX, com um QR Code, a opção Pix Copia e Cola e um botão para verificar pagamento. Uma mensagem de "Aguardando confirmação do pagamento" completa a encenação.
Ao inserir o código no aplicativo do banco, o recebedor exibido não é o Tesouro Nacional, e sim uma empresa com sede em Curitiba. Não foi possível confirmar para quem o valor é efetivamente repassado, nem se essa empresa tem relação com a fraude ou se atua apenas como intermediária de pagamentos. O que se pode afirmar é que o dinheiro não vai para a Justiça Eleitoral.
Um golpe que já é conhecido
Esse não é o primeiro golpe do tipo em 2026. Em abril, o próprio TSE alertou para mensagens de WhatsApp que informavam supostas pendências no título de eleitor e levavam a páginas falsas com uma estrutura muito parecida: consulta por CPF, lista de débitos com multa por ausência, encargos e regularização cadastral e um QR Code para pagamento via Pix. Na época, o valor cobrado era de R$ 66,80.
O exemplo que analisamos repete a mesma fórmula, com um valor menor e um elemento extra de credibilidade, a exibição de dados pessoais reais da vítima. O segundo turno torna a fraude ainda mais convincente: quem faltou às urnas em 4 de outubro pode, de fato, ter uma pendência a resolver, e a cobrança falsa se aproveita justamente dessa dúvida.
Vale lembrar que, nesse caso, a regularização é simples e gratuita: o eleitor que não votou no primeiro turno tem até 3 de dezembro para justificar a ausência pelo aplicativo e-Título, pelo portal Título Net ou em um cartório eleitoral. Para o segundo turno, o prazo vai até 8 de janeiro de 2027. Só quem não justificar dentro do prazo fica sujeito à multa, de R$ 3,51 por turno, que deve ser paga exclusivamente pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral.
Como identificar este tipo de golpe
Alguns sinais deixam claro que sites como este não têm relação com a Justiça Eleitoral:
- O endereço não termina em “.jus.br ”. Os sites do Poder Judiciário usam obrigatoriamente esse domínio. O endereço oficial do TSE é “tse.jus.br”, e o portal da Justiça Eleitoral é www.justicaeleitoral.jus.br. Qualquer variação, como .online ou nomes com palavras juntas, é motivo para desconfiar.
- O valor da multa não confere. A multa real por ausência às urnas é de R$ 3,51 por turno em que o eleitor não votou nem justificou. O site falso cobra R$ 26,00 só por esse item, valor mais de sete vezes maior.
- Não existe taxa de regularização . Segundo o TSE, os serviços de regularização eleitoral são gratuitos, assim como a emissão do primeiro título, a transferência de domicílio e a atualização de dados.
- Todo CPF aparece com pendência. Se a situação de qualquer pessoa consultada é sempre irregular, com o mesmo valor, não há consulta de verdade.
- O recebedor do Pix não é o Tesouro Nacional. Quando uma multa eleitoral é paga por Pix pelos canais oficiais, o recebedor deve ser o Tesouro Nacional. Qualquer outro nome, seja de empresa ou de pessoa física, indica fraude.
- As ameaças são exageradas e urgentes . Mensagens que falam em perda de benefícios ou bloqueio de serviços públicos para pressionar um pagamento imediato são uma tática clássica de engenharia social.
O que fazer se você caiu no golpe
- Entre em contato com o seu banco pelos canais oficiais e solicite a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix. O prazo é curto, e a chance de recuperar o valor diminui com o tempo.
- Registre um boletim de ocorrência, que pode ser feito pela delegacia eletrônica da Polícia Civil do seu estado.
- Fique atento ao uso dos seus dados. Como o site já exibe informações pessoais reais, como nome completo e nome da mãe, há o risco de que esses dados sejam usados em outros golpes. Desconfie de contatos inesperados que mencionem essas informações para ganhar sua confiança e considere acompanhar se há contas, empréstimos ou cadastros abertos em seu nome.
Como se proteger?
Para se proteger desse tipo de golpe, a regra é desconfiar de qualquer cobrança que chegue sem que você a tenha procurado, principalmente se vier acompanhada de urgência ou ameaça de punição.
Antes de pagar ou informar dados pessoais, confira se o endereço do site é oficial (no caso de órgãos públicos, os domínios terminam em .gov.br ou .jus.br) e prefira digitá-lo direto no navegador ou usar o aplicativo oficial do serviço, em vez de clicar em links recebidos por mensagem ou encontrados em anúncios.
No Pix, veja com atenção o nome e o documento do recebedor na tela de confirmação, porque esse é o último momento para perceber que algo está errado.




