Quanto custa para que os fornecedores de acesso à Internet garantam a privacidade dos clientes?

Quanto custa para que os ISP garantam a privacidade dos clientes?

Considerando que os esforços para lucrar são cada vez maiores, os ISPs começaram a monetizar as informações dos clientes em silêncio.

Considerando que os esforços para lucrar são cada vez maiores, os ISPs começaram a monetizar as informações dos clientes em silêncio.

Antes costumávamos pagar a um provedor por um determinado serviço de banda larga e isso era exatamente o que obtínhamos. Atualmente, considerando que os esforços para lucrar são cada vez maiores, os ISPs (fornecedores de acesso à Internet ou Internet Service Provider) começaram a monetizar as informações dos clientes em silêncio, enquanto o serviço é vendido. A tentação é forte, já que esse tipo de dado tem valor real no mercado secundário. No entanto, onde fica a privacidade dos clientes?

Durante anos, os computadores, tablets, smartphones e outros dispositivos vendidos foram parcialmente subsidiados através de grandes empresas que vendem informações sobre o uso da Internet pelos consumidores, assim como os seus hábitos de navegação. Seja um laptop, um dispositivo móvel ou um computador doméstico, todos já vêm com softwares de terceiros, que pagam aos fabricantes para instalar programas que tocam o limite com o adware e spyware.

Esta é uma das razões pelas quais existe uma diferença de preço entre os computadores vendidos para casas e empresas. Alguma vez, por acaso, você já tentou remover todo o lixo do equipamento? Para isso, é preciso um especialista em tecnologia, e mesmo assim é difícil. O problema é tão endêmico que levou à ascensão de uma indústria artesanal de programas para removê-lo com nomes como “Bulin Crap Uninstaller” e “Crap Cleaner”.

Alguns desses programas de junkware podem até mesmo tomar o controle do tráfego e interceptá-lo de forma tão sútil que se em um nível muito baixo, desenha a linha entre quais ações são éticas por parte dos fabricantes que fazem ofertas e quais não são. Eles podem até introduzir vulnerabilidades nos equipamentos.

Aqui na ESET, normalmente nos perguntam se vendemos dados de clientes para profissionais de marketing; a resposta é “não”. Temos muito para fazer apenas trabalhando com foco nas atuais ameaças e mantendo os clientes seguros. Os ISPs devem fazer o mesmo: ficar focado na tecnologia para servir aos clientes, não para vender suas informações para o maior lance.

A questão é a confiança. Muitas pessoas não têm ideia de que suas informações estão sendo vendidas. Se em algum momento souberam, em muitos casos, foi porque existia um monopólio ou duopólio de fornecedores de Internet em sua área, que ofereciam acordos como “é pegar ou largar”, de maneira que não tinham mais escolha senão permitir que suas informações fossem vendidas caso quisessem o serviço. Não quer? Tente alterar o contrato e enviá-lo de volta para os provedores (o que você tem direito legal de fazer antes de assinar o contrato). Você provavelmente não receberá uma resposta muito agradável ou, em alguns casos, pode até mesmo ter que pagar algo a mais pelo “privilégio” de não ser rastreado.

Manter a confiança dos clientes no centro de um modelo de negócios certamente pode prejudicar temporariamente os imperativos de lucro trimestrais das empresas, tão proeminentes em empresas de capital aberto, mas se o que você está vendendo é um serviço de confiança, acreditamos que ao final terá grandes frutos.

Existe muito trabalho pela frente no que diz respeito a banda larga adequada oferecida para os Estados Unidos (e para o resto do mundo). Há muitas áreas que contam com um péssimo serviço ou que nem sequer o possui, e os clientes precisam do serviço de banda larga para trabalhar e comunicar-se. Eu estou envolvido em um pequeno ISP em uma área rural com pouco serviço. Optamos por não vender quaisquer dados de clientes para os comerciantes, a fim de não estabelecer um precedente que considero nada confortável para muitos usuários do serviço​. No entanto, em uma pequena cidade, ver seus clientes na loja quererem fechar negócio, sem mesmo ter que olhar para o lado, é bastante gratificante.

Sei que a ESET também se importa profundamente com o que acontece com os clientes, que muitas vezes fazem parte da nossa própria família e de grupos com os quais nos socializamos. Acho que até que poderíamos aumentar nossos lucros vendendo informações, mas isso criaria um precedente que não corresponde com quem somos.

Ganhar confiança leva anos; mas perdê-la pode levar alguns segundos. Espero que os provedores, e outros setores de tecnologia possam se concentrar um pouco mais na confiança e um pouco menos nos lucros.

Se você ganha confiança, os lucros virão. Não tenha dúvida! :)

 

Autor: Cameron Camp (ESET).

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