Durante o período de declaração do Imposto de Renda, muitas pessoas já estão preocupadas com sua situação fiscal e com possíveis pendências no CPF. Criminosos exploram esse contexto para criar um senso de urgência e legitimidade. Eles sabem que o usuário pode associar automaticamente qualquer “problema no CPF” com dificuldades para entregar a declaração, cair na malha fina ou até sofrer multas.

Recentemente, identificamos um site falso que imita a Receita Federal e promete consultar gratuitamente a situação do CPF. Na prática, porém, a página induz a vítima a realizar um pagamento sob o pretexto de uma suposta “regularização”. Leia mais e entenda como este tipo de golpe funciona.

Como o golpe funciona

No caso do site falso que identificamos, a página se faz passar por um suposto “Portal Oficial de Serviços ao Cidadão da Receita Federal”, com uma aparência bastante convincente e linguagem institucional.

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Imagem 1. Página criada por criminosos se faz passar pela Receita Federal.

Este tipo de página falsa normalmente é propagada por e-mail, SMS, WhatsApp ou redes sociais. As mensagens usam gatilhos de urgência, como “CPF irregular”, “pendência com a Receita” ou “consulta gratuita de benefícios”, para despertar a curiosidade ou o medo da vítima.

Ao acessar a página, a vítima é incentivada a inserir o CPF para realizar uma suposta consulta gratuita.

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Imagem 2. Botão para consultar a situação cadastral do CPF.
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Imagem 3. Pop-up com botão para inserir o CPF.

Após o preenchimento, surge uma mensagem alarmante informando que o CPF foi classificado como de “alto risco fiscal”, com a alegação de que existe um processo em andamento e um prazo extremamente curto para regularização, muitas vezes no mesmo dia.

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Imagem 4. Mensagem informa o suposto status do CPF da vítima.

Em seguida, logo abaixo, a página exibe dados pessoais como nome completo, data de nascimento e nome da mãe: informações que provavelmente foram obtidas a partir de vazamentos de dados, o que aumenta a credibilidade do golpe.

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Imagem 5. Dados reais sobre a vítima são informados para dar mais veracidade ao golpe.

Para intensificar a pressão, o site lista uma série de consequências graves caso o pagamento não seja feito imediatamente, como bloqueio de contas bancárias, suspensão de transações via PIX, restrições de crédito e até impedimentos para acessar benefícios sociais.

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Imagem 6. Supostas restrições.

Além disso, é exibido um relatório detalhado com valores mensais, juros e multas, simulando uma dívida real relacionada ao Imposto de Renda.

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Imagem 7. Relatório com supostas dívidas que seriam relacionadas com a “malha fina”.

Ao final, aparece um suposto “desconto” para pagamento imediato, reforçando o senso de urgência.

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Imagem 8. Desconto e botão de “regularizar”.

Na etapa final, a vítima é direcionada para uma página que gera um código para pagamento via PIX, com a promessa de regularizar a situação do CPF.

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Imagem 9. Página de redirecionamento da vítima.
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Imagem 10. Botão para gerar o QR Code de pagamento via pix.
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Imagem 11. QR Code para pagamento.

Ao realizar o pagamento, o dinheiro é transferido diretamente para os golpistas.

Esse tipo de fraude combina engenharia social com o uso de dados reais para enganar as vítimas. Por isso, é fundamental desconfiar de mensagens que criam senso de urgência ou oferecem benefícios inesperados. A Receita Federal não solicita pagamentos ou regularizações por meio de links enviados por mensagens, nem oferece consulta de CPF com promessas de crédito ou benefícios financeiros.

Como se proteger

Algumas dicas são fundamentais para não cair nesse tipo de golpe:

  • Acesse serviços da Receita apenas pelo site oficial;
  • Desconfie de links recebidos por mensagens;
  • Nunca faça pagamentos sem confirmar a origem;
  • Use soluções de segurança que bloqueiem sites maliciosos;
  • Ative autenticação multifator sempre que possível.

Golpistas exploram momentos de alta demanda, como o período do Imposto de Renda, para aumentar suas chances de sucesso. A combinação de dados reais com mensagens alarmantes torna esse tipo de fraude especialmente perigoso. Se receber uma mensagem desse tipo, não clique, e, se possível, denuncie.