App de VPN do Facebook é retirado do App Store por coleta indevida de dados dos usuários

App de VPN do Facebook é retirado do App Store por coleta indevida de dados dos usuários

A Apple pediu ao Facebook que retire do App Store seu aplicativo de VPN para dispositivos móveis, Onavo Protect, por violar suas políticas de coleta de dados. Desta forma, o app de segurança do Facebook está disponível apenas no Google Play para usuários do Android.

A Apple pediu ao Facebook que retire do App Store seu aplicativo de VPN para dispositivos móveis, Onavo Protect, por violar suas políticas de coleta de dados. Desta forma, o app de segurança do Facebook está disponível apenas no Google Play para usuários do Android.

O Onavo Protect é um aplicativo que permite se conectar a uma VPN gratuita (Virtual Private Network). O uso de uma VPN possibilita manter de forma anônima o IP do usuário contra as páginas e aplicativos que o usuário visita ou utiliza, bem como criptografar suas informações como forma de proteção dos dados. O aplicativo, que foi comprado pela empresa de Zuckerberger em 2013 para uma startup israelense, foi inicialmente projetado para reduzir o uso de dados dos usuários, mas foi adicionado recursos de segurança para proteger a privacidade ao navegar na Internet e ao compartilhar informações.

Mas, aparentemente, o aplicativo funcionava como uma ferramenta que permitia ao Facebook identificar produtos em potencial, detectando os interesses dos usuários ao rastrear suas atividades em vários apps de outras empresas e, dessa forma, entender como eles interagem com esses outros aplicativos.

De acordo com um artigo publicado pelo The Wall Street Journal em 2017, os dados coletados pelo Onavo ajudaram o Facebook a introduzir a funcionalidade das “histórias” no Instagram após analisar o comportamento dos usuários no Snapchat – plataforma que havia introduzido essa funcionalidade antes do Facebook. Além disso, o artigo acrescenta que contribuiu para a decisão de adquirir o WhatsApp em 2014.

Em março deste ano, o pesquisador Will Stafrach publicou os resultados de sua pesquisa sobre o envio de dados de usuários do aplicativo de VPN para o Facebook e garantiu que o aplicativo envia periodicamente dados como: o momento em que a tela do dispositivo móvel dos usuários é ligada e desligada; dados de uso diário de Wi-Fi (mesmo quando a VPN está desativada); uso de dados móveis diários (mesmo quando a VPN está desativada) e o tempo de conexão da VPN. Tudo isso é possível porque o aplicativo redireciona o tráfego dos usuários para um servidor privado gerenciado pelo Facebook. No final de sua publicação, o pesquisador deixa em aberto a questão sobre como o Facebook usa esses dados.

Segundo a descrição que está na página do Onavo, o aplicativo de VPN, que está disponível no Google Play, no caso dos usuários do Android, envia alertas ao identificar a existência de aplicativos que consomem muitos dados; impede que aplicativos em segundo plano consumam dados; limita o uso de aplicativos para que eles possam ser usados ​​somente com conexão Wi-Fi; envia notificações quando um aplicativo atinge um máximo de dados previamente estabelecido; além de criptografar suas informações pessoais e todas as outras conexões. Conforme detalhado no caso de usuários de iPhone e iPad, a ferramenta protege seus dados bloqueando o tráfego de páginas potencialmente perigosas, protegendo suas informações.

Conforme foi publicado pelo The Wall Street Journal, a Apple informou ao Facebook, no início de agosto, que o aplicativo de VPN Onavo Protect não cumpria com as novas políticas do App Store atualizadas em junho deste ano, em que a marca proibiu que os programadores de aplicativos armazenassem dados de usuários para vender a terceiros. A medida foi adotada para proteger a privacidade e segurança de dados das pessoas ao longo de todo o ecossistema da Apple.

De acordo com o portal The Hacker News, os usuários do iOS que já fizeram o download do aplicativo poderam continuar utilizando a ferramenta, mas certamente não recebem atualizações do Facebook.

Por sua vez, o Facebook alega “não usar dados do Onavo para seus produtos”, publicou o site USA Today.

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