A cibersegurança continua sendo um dos principais desafios para as empresas brasileiras. Embora as organizações do país demonstrem um nível de maturidade superior à média da América Latina em diversos aspectos, os dados do ESET Security Report 2026 revelam que ainda existem lacunas importantes na capacidade de detectar ameaças, estabelecer políticas de governança para inteligência artificial e fortalecer a proteção contra ataques cada vez mais sofisticados.
O levantamento ouviu 1.563 profissionais de tecnologia e cibersegurança, cobrindo cerca de 962 organizações em dez países da América Latina. O Brasil aparece com números que chamam atenção por dois lados opostos: é o país que mais detecta ataques, mas também um dos que mais reconhece não saber ao certo o tamanho do próprio risco.
Mais ataques detectados, ou mais mais visibilidade?
Nos últimos 12 meses, 62% das empresas brasileiras identificaram pelo menos uma tentativa de ataque, contra 52,7% na média da América Latina. Isso pode significar duas coisas ao mesmo tempo: um ambiente de ameaças mais pesado por aqui, e uma capacidade de monitoramento que também é maior.
O problema é o que fica escondido. Quase 15% das empresas nem sabem dizer se foram atacadas ou não. E entre as que não registraram incidentes, 43,3% desconfiam que algo pode ter passado batido por falta de ferramentas adequadas de monitoramento, bem acima do 25,1% visto na região como um todo. Ou seja: parte considerável das empresas brasileiras sabe que está com o ponto cego ligado.
Phishing segue no topo
Nada muda muito aqui de um ano para o outro: phishing e engenharia social continuam sendo a porta de entrada preferida dos criminosos, presentes em 70,9% dos casos relatados por empresas que tiveram incidentes.
Depois vêm exploração de vulnerabilidades (49,4%), acessos não autorizados (44,3%) e infecção por malware (41,8%). Dá para ver que os ataques não dependem só de enganar os usuários: falhas técnicas e credenciais vazadas seguem sendo caminho aberto para quem quer ter acesso.
Inteligência artificial amplia preocupações
A inteligência artificial também aparece entre os principais temas de preocupação para os profissionais entrevistados. Quase metade dos entrevistados brasileiros (49,2%) acha que a inteligência artificial vai deixar os ataques mais sofisticados e automatizados. Um em cada cinco (20,3%) cita deepfakes e falsificação de identidade como um dos riscos que mais preocupam hoje.
E, mesmo assim, 45,3% das empresas brasileiras não têm nenhuma política interna sobre uso de ferramentas de IA. Na prática, quem decide o que pode ou não ser feito com essas ferramentas é o próprio funcionário, sem nenhuma diretriz da empresa.
Tecnologia avançou, mas o básico ainda pesa mais que o avançado
Aqui está o lado bom da história: o Brasil adota mais tecnologia de proteção do que a média regional.
Os dados sugerem que as empresas brasileiras vêm fortalecendo sua postura de segurança, especialmente em soluções mais avançadas de detecção e resposta a incidentes. Ainda assim, o relatório destaca que permanece uma diferença importante entre a adoção de controles básicos e o uso de capacidades analíticas mais avançadas, essenciais para identificar ameaças de forma proativa.
O elo mais fraco continua sendo o humano
Mesmo com investimentos em tecnologia, os hábitos dos usuários seguem representando um desafio importante.
Embora todos os participantes brasileiros desse recorte afirmem utilizar antivírus em seus equipamentos corporativos, apenas 65,5% ativam a autenticação em dois fatores em suas contas de trabalho. Outro dado chama atenção: 51,7% dos entrevistados afirmam não utilizar nenhuma medida de proteção em seus dispositivos móveis corporativos, indicando que smartphones continuam sendo um ponto de vulnerabilidade para muitas organizações.
O que os dados revelam
O panorama apresentado pelo ESET Security Report 2026 mostra que as empresas brasileiras avançaram na adoção de tecnologias de proteção e apresentam níveis de maturidade superiores aos observados em boa parte da América Latina. No entanto, o aumento da sofisticação das ameaças, aliado às limitações de visibilidade, às lacunas na governança da inteligência artificial e à necessidade de fortalecer a cultura de segurança entre os colaboradores, demonstra que a evolução da cibersegurança depende não apenas de investimentos em ferramentas, mas também de processos, monitoramento contínuo e conscientização dos usuários.




