A Binance confirmou, nesta última quinta-feira (29), um ataque digital que envolveu aproximadamente US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 33,7 bilhões) em criptomoedas. Pela dimensão do prejuízo, o incidente pode se tornar o maior roubo já registrado no setor.
De acordo com o comunicado, as primeiras investigações apontam que os criminosos podem ter iniciado a invasão a partir do notebook comprometido de um engenheiro de DevOps. O acesso ao equipamento teria permitido que os cibercriminosos chegassem a um contêiner de serviço e realizassem saques não autorizados.
Para Jake Moore, Global Cybersecurity Advisor da ESET, o caso chama a atenção não apenas pelo valor roubado, mas também pela possibilidade de um único dispositivo ter sido usado como porta de entrada para o ataque. “Não é apenas preocupante a rapidez com que bilhões de dólares podem desaparecer em um assalto dos tempos modernos, mas é inacreditável que um único laptop tenha acesso privilegiado suficiente para tornar isso possível”, afirma Moore. “Se um único dispositivo é capaz de autorizar transferências enormes de criptomoedas, bastou aos cibercriminosos mirar nos sistemas e nas pessoas certas para executar esse ataque.”
Após identificar o incidente, a Binance suspendeu temporariamente depósitos e saques para realizar verificações de segurança. A empresa também informou que não encontrou, até o momento, indícios de comprometimento das chaves privadas das carteiras.
Dos US$ 6,3 bilhões envolvidos, cerca de US$ 3 bilhões (aproximadamente R$ 16 bilhões) já foram congelados. O restante, em torno de US$ 3,3 bilhões (cerca de R$ 17,7 bilhões), continua em grande parte sob controle dos criminosos. Enquanto isso, a corretora trabalha com autoridades e especialistas em blockchain para rastrear os ativos.
Diante desse cenário, Moore ressalta que a possibilidade de acompanhar as movimentações na blockchain não significa que os valores possam ser recuperados facilmente. Segundo o especialista, “recuperar criptomoedas roubadas é muito mais difícil, especialmente quando os criminosos movimentam os fundos entre várias carteiras e blockchains com extrema rapidez, usando táticas de evasão simples e bem conhecidas”.
Binance afirma que vai cobrir as perdas
A Binance informou que assumirá as perdas decorrentes do ataque. Para isso, vai usar recursos próprios e o SAFU (Secure Asset Fund for Users), fundo de emergência criado em 2018 para proteger os usuários em situações dessa natureza. A corretora afirma que os recursos dos clientes estão seguros e pretende divulgar uma nova comprovação de reservas após a conclusão dos trabalhos de recuperação.
O balanço do ataque ainda não é definitivo. Os valores podem ser atualizados conforme as investigações avancem e novos ativos sejam localizados ou congelados. Além das autoridades policiais, a Binance conta com o apoio de emissores de criptomoedas e empresas especializadas em análise de blockchain para tentar recuperar os recursos desviados.
Grupo cibercriminoso entra na lista de suspeitos
As suspeitas sobre a autoria do ataque recaem sobre o grupo cibercriminoso TraderTraitor, associado à Coreia do Norte. Empresas de análise de blockchain, como TRM Labs e Elliptic, identificaram semelhanças entre a movimentação dos ativos roubados da Binance e operações anteriores atribuídas a criminosos norte-coreanos.
A Coreia do Norte já foi associada a alguns dos maiores roubos de criptomoedas dos últimos anos. Em fevereiro de 2025, cibercriminosos ligados ao país roubaram aproximadamente US$ 1,5 bilhão da Bybit, cerca de R$ 8 bilhões na cotação atual. Até então, aquele era considerado o maior ataque do tipo. O valor envolvido no incidente da Binance é mais de quatro vezes superior.
“A Coreia do Norte tem se tornado cada vez mais sofisticada no uso do cibercrime para gerar quantias enormes de dinheiro”, afirma Moore. Apesar dos indícios identificados pelas empresas de análise, a identidade dos responsáveis pelo ataque ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades.
O caso volta a colocar em evidência a cibersegurança das corretoras
O incidente reacende as preocupações com a segurança das plataformas que armazenam e movimentam grandes volumes de criptomoedas. Em 2025, a Coinbase, outra importante corretora do setor, revelou que criminosos haviam roubado informações pessoais de clientes. Os criminosos exigiram US$ 20 milhões (cerca de R$ 107 milhões) para não divulgar os dados. A empresa se recusou a pagar o resgate e ofereceu uma recompensa por informações que ajudassem a identificar e prender os responsáveis.
Embora os dois episódios envolvam corretoras de criptomoedas, os métodos utilizados foram diferentes. No caso da Coinbase, os criminosos recorreram ao roubo de dados e à extorsão. Já na Binance, a invasão teria permitido a realização de transferências não autorizadas de ativos digitais. O ataque também ocorre em um cenário de crescente preocupação com o uso da inteligência artificial por cibercriminosos. No entanto, até o momento, não há informações confirmadas de que a tecnologia tenha sido utilizada na invasão à Binance.
Sou cliente da Binance. O que devo fazer?
Quem possui uma conta na Binance deve acompanhar os comunicados oficiais da corretora, especialmente as atualizações sobre a normalização dos serviços e eventuais medidas de segurança. Também é importante ficar atento a possíveis tentativas de golpe. Incidentes de grande repercussão costumam ser explorados por criminosos que se passam por representantes das empresas afetadas para enganar os clientes.
Mensagens sobre supostos reembolsos, desbloqueio de contas ou verificações obrigatórias de segurança, por exemplo, podem ser usadas para direcionar as vítimas a páginas falsas e roubar credenciais de acesso ou criptomoedas. Para reduzir os riscos, alguns cuidados são recomendados:
- Acompanhe apenas os canais oficiais da Binance. Consulte o site, o aplicativo e os perfis verificados da corretora para obter informações sobre o incidente.
- Desconfie de mensagens sobre reembolsos. Evite acessar links enviados por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagens sem antes confirmar sua autenticidade.
- Não compartilhe senhas, códigos de autenticação ou frases-semente. Essas informações são confidenciais e não devem ser fornecidas a terceiros, mesmo que a solicitação pareça vir do suporte da corretora.
- Revise as configurações de segurança da conta. Confira se a autenticação em dois fatores está ativada e verifique a lista de endereços autorizados para saques.
Para quem mantém valores elevados em criptomoedas, Moore também recomenda avaliar como os ativos estão distribuídos. A orientação do especialista é mantê-los “entre várias plataformas confiáveis e carteiras físicas seguras (como um dispositivo USB próprio), a fim de reduzir o risco de perder tudo em um único ataque”. A medida não elimina os riscos, mas pode reduzir o impacto financeiro caso uma única plataforma seja comprometida.
Perguntas frequentes sobre o ataque à Binance
Quanto foi roubado da Binance?
O ataque envolveu aproximadamente US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 33,7 bilhões). O valor ainda pode ser atualizado conforme o avanço das investigações.
Quem está por trás do ataque à Binance?
As principais suspeitas recaem sobre cibercriminosos ligados à Coreia do Norte, incluindo o grupo TraderTraitor. Até o momento, porém, a autoria não foi confirmada oficialmente.
Os clientes da Binance serão ressarcidos?
A Binance afirma que cobrirá as perdas provocadas pelo ataque utilizando recursos próprios e o fundo de emergência SAFU.
Quando os saques da Binance voltarão a funcionar?
A corretora ainda não confirmou a retomada completa dos serviços. Os clientes devem acompanhar os comunicados oficiais para obter informações atualizadas.




