App falso da criptomoeda Safemoon baixa RAT que espiona usuários e rouba informações

Detectamos uma campanha no Discord que tenta distribuir um app falso da carteira da criptomoeda Safemoon. A ameaça baixa uma ferramenta de acesso remoto (RAT) que é utilizada, entre outras ações, para espionar e roubar dados de login.

Detectamos uma campanha no Discord que tenta distribuir um app falso da carteira da criptomoeda Safemoon. A ameaça baixa uma ferramenta de acesso remoto (RAT) que é utilizada, entre outras ações, para espionar e roubar dados de login.

Assim como destacamos no post sobre criptomoedas e crime cibernético, os delitos relacionados à mineração de criptomoedas e a compra e venda de moedas virtuais continuam crescendo: desde a mineração em navegadores ou a utilização de criptomoedas, até ataques de engenharia social que usam o assunto como uma “isca” para atrair novas vítimas.

Em agosto, um usuário denunciou via Reddit um site que estava se passando pela Safemoon, uma criptomoeda criada em março de 2021 e que ficou conhecida por sua alta volatilidade e crescimento desde o seu lançamento. Esse crescimento ocorreu, em grande parte, devido a situações semelhantes às que levaram à popularidade da Dogecoin, outra criptomoeda volátil: sua expansão nas redes sociais como Reddit, Tiktok ou YouTube, e sua menção por grandes influenciadores do mundo das criptomoedas, como Dave Portnoy.

O golpe circulou pela plataforma Discord. Aparentemente, os usuários foram contactados através de mensagens diretas por diferentes contas que se faziam passar pela Safemoon no Discord. A conta falsa destacava o lançamento de uma atualização do aplicativo da carteira desenvolvida pelos criadores da Safemoon, que serve para guardar e monitorar o comportamento das criptomoedas.

Imagem 1: mensagem falsa que se faz passar pelos administradores da Safemoon.

No entanto, ao verificar o link anexado que se fazia passar pelo site oficial, verificamos que não se tratava do site oficial, mas um roubo de identidade conhecido como ataque homográfico, em que o cibercriminoso adiciona ou modifica um caractere do link a ser falsificado: neste caso o domínio do site oficial da Safemoon. A eficácia desses ataques depende de quão atento o usuário está ao acessar uma página.

O site falso consiste em uma cópia fiel de uma versão antiga do site original. Mais especificamente, cada link no site falso redireciona para o oficial, exceto o link para baixar o aplicativo mencionado na mensagem falsa.

Imagem 2: Site oficial da Safemoon atualmente.

Imagem 3: site falso da Safemoon (ativo no momento da publicação deste artigo).

Esse download simula ser o mesmo anunciado no site oficial. No entanto, trata-se de um aplicativo malicioso que usa uma ferramenta de gerenciamento de dispositivos de forma remota para espionar o usuário. Vale ressaltar que o site falso oferece o download direto do aplicativo do site, enquanto o site oficial oferece um link para o Google Play.

Esse arquivo tem as características de um trojan, pois se apresenta à vítima como uma imitação de um aplicativo inofensivo e opera de maneira transparente. Uma vez executado, o arquivo não executará nenhum tipo de ação que o usuário possa detectar, e é aí que começa a infecção.

Um RAT oculto no link para baixar o aplicativo

O malware foi desenvolvido em .NET e posteriormente ofuscado com o Crypto Obfuscator, provavelmente para dificultar a análise da ameaça.

Figura 4: seção de desenvolvimento do aplicativo malicioso ofuscado.

Depois de executar o arquivo do suposto instalador do aplicativo, que é um injetor com o nome de Safemoon-App-v2.0.6.exe, uma série de arquivos é baixada, incluindo o payload de uma ferramenta de acesso remoto (RAT) chamada Remcos. É importante notar que o Remcos é um software legítimo que se encontra disponível no mercado e que segundo seus desenvolvedores foi inicialmente destinado a gerenciar e monitorar remotamente seus próprios dispositivos. No entanto, em 2016, as autoridades dos Estados Unidos se referiram ao Remcos como um malware, uma vez que foi bastante promocionado para a venda em fóruns de hacking e foi utilizado por cibercriminosos e até mesmo grupos APT em muitas campanhas maliciosas.

Por sua sigla em inglês, o acrônimo RAT significa ferramenta de acesso remoto, mas também é usado para se referir a trojans de acesso remoto. No entanto, é comum que os cibercriminosos usem esses tipos de ferramentas legítimas para realizar movimentos laterais e/ou executar malware, então a diferença entre um RAT legítimo e um malicioso está em quem controla a ferramenta, seja uma empresa ou cibercriminosos.

Entre os recursos baixados pertencentes ao Remcos, está o arquivo de configuração do RAT no qual, após ser desofuscado, é possível encontra informações valiosas para entender o comportamento da ferramenta.

Imagem 5: Binário do arquivo de configuração Remcos, onde algumas funcionalidades são indicadas.

Mais particularmente, os diferentes recursos desse malware se concentram na espionagem do usuário. Essas funcionalidades são utilizadas de acordo com o interesse do atacante, que controla a ameaça por meio de um servidor de comando e controle (ou C&C), cujo endereço IP é injetado nos mesmos arquivos baixados.

Entre as funcionalidades mais críticas que o Remcos RAT executa no computador comprometido, podemos destacar a obtenção de credenciais de acesso de vários navegadores, como Internet Explorer, Firefox e Google Chrome; a gravação das teclas (ou keylogging) do usuário, a captura de áudio do microfone da vítima ou o download de arquivos adicionais de acordo com o interesse do atacante por meio de links. Além disso, a ameaça tem a capacidade de executar ações que podem ajudar outros códigos maliciosos a funcionar, como excluir arquivos ou pastas ou modificar o papel de parede do usuário.

Indicadores de comprometimento (IoC)

Hash Detecção
035041983adcfb47bba63e81d2b98fa928fb7e022f51ed4a897366542d784e5b A Variant Of MSIL/Injector.VQB

Os arquivos baixados posteriormente como parte do Remcos são detectados pelas soluções da ESET como Win32/Rescoms.B trojan.

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