De personalidades famosas e executivos de grandes empresas a diretores de escola, ninguém está a salvo dessa nova ameaça. O cibercrime utiliza deepfakes tanto para extorquir dinheiro quanto para espalhar desinformação de forma direta.
Os cibercriminosos descobriram como potencializar seus golpes com o uso da inteligência artificial, tornando seus golpes mais realistas e difíceis de detectar.
Recentemente, foram observados vídeos deepfake que se passaram por pessoas de renome nacional ou pelo CEO de uma grande organização. Os criminosos criaram promoções falsas, enganando consumidores com a imagem do apresentador.
Mas ataques também ocorrem em menor escala, atingindo até mesmo um diretor de escola em uma cidade remota dos Estados Unidos. Neste post, separamos alguns casos em que os deepfakes foram a principal ferramenta utilizada para planejar golpes contra pessoas e empresas, resultando em perdas milionárias ou no vazamento de informações extremamente sensíveis.
O que é um deepfake?
Antes de destacarmos os casos mais recentes, é importante entender que o deepfake é uma técnica de síntese de imagens humanas baseada em inteligência artificial, utilizada para criar conteúdos falsos do zero, a partir de vídeos existentes ou até mesmo de uma única imagem estática. O objetivo é reproduzir de forma convincente a aparência e a voz de uma pessoa real.
Com a evolução da inteligência artificial, esses vídeos e áudios estão cada vez mais realistas. Muitos exploram a imagem de figuras públicas ou de instituições conhecidas, colocando-as para dizer algo falso como parte de golpes que buscam obter dinheiro ou informações sensíveis.
Casos reais: famosos, empresas e políticos
Os casos que separamos é uma prova da evolução que comentamos:
Marcos Mion
Em janeiro de 2025, uma quadrilha foi presa por aplicar golpes usando deepfakes do apresentador Marcos Mion. Mion teve sua imagem e voz manipuladas por criminosos para promover promoções falsas da rede de restaurantes Outback. As vítimas eram direcionadas a sites clonados, onde realizavam pagamentos por vouchers de desconto inexistentes.
Drauzio Varella
O renomado médico teve sua imagem utilizada em vídeos falsos promovendo produtos milagrosos para a saúde. O próprio Drauzio Varella desmentiu publicamente os vídeos, alertando seus seguidores sobre a fraude.
William Bonner
O jornalista teve sua imagem utilizada em vídeos falsos promovendo produtos de saúde. Ele denunciou o caso em suas redes sociais, alertando seus seguidores sobre a fraude.
Anitta
A cantora revelou em janeiro de 2025 que criminosos utilizaram sua voz gerada por IA para aplicar golpes online. Ela alertou seus seguidores sobre o uso indevido de sua imagem e voz.
Arup
Outro caso de destaque envolvendo o uso de deepfakes em golpes foi o da Arup, empresa de arquitetura responsável por projetos icônicos como a Ópera de Sydney e o Estádio Etihad. Sim, até grandes corporações são alvo desse tipo de ataque.
O que aconteceu? No início de 2024, um funcionário da área financeira do escritório da companhia em Hong Kong participou de uma videoconferência com quem acreditava ser o diretor financeiro da Arup. O resultado da chamada: 15 transferências que somaram mais de U$ 25 milhões (aproximadamente R$ 137,5 milhões). A má notícia é que, na verdade, tudo não passava de um deepfake.
Ferrari
Um exemplo que merece destaque aconteceu em julho de 2024 com a Ferrari. Nesse caso, os cibercriminosos tentaram aplicar um golpe utilizando um deepfake de voz, imitando ninguém menos que Benedetto Vigna, diretor-executivo da montadora.
Por meio da falsificação da voz, os golpistas buscaram convencer executivos da área financeira da empresa a realizar uma transferência de alto valor. No entanto, um dos funcionários desconfiou da situação e fez uma pergunta que a inteligência artificial usada no golpe não conseguiu responder corretamente.
O ataque não só falhou, como também serviu de alerta para que a Ferrari reforçasse o treinamento de seus colaboradores, reduzindo o risco de caírem em fraudes semelhantes.
WPP
Uma das maiores empresas de publicidade do mundo também foi alvo de uma tentativa de golpe envolvendo um deepfake. Nesse caso, ocorrido em meados de 2024, os cibercriminosos utilizaram uma conta falsa no WhatsApp, um áudio de voz e até trechos de uma reunião virtual disponíveis no YouTube para se passar pelo diretor financeiro (CFO) da companhia, Mark Read.
Os criminosos chegaram a organizar uma reunião pelo Microsoft Teams com o pretexto de criar uma nova empresa. O objetivo era usar esse disfarce para obter dinheiro e informações pessoais e sensíveis da organização. Segundo informou a própria WPP, o ataque não teve sucesso graças ao estado de alerta e ao treinamento dos colaboradores para identificar esse tipo de fraude.
Escola de Baltimore
As deepfakes não têm como alvo apenas grandes empresas. Um caso bastante conhecido ocorreu no início de 2024, quando circulou um áudio no qual o diretor de uma escola fazia comentários racistas e antissemitas. O conteúdo se tornou viral, alcançando mais de 2 milhões de visualizações, e resultou em ameaças de morte contra o educador.
Eric Eiswert, diretor da escola secundária de Pikesville, negou veementemente ter feito tais declarações ofensivas. Após investigações, as autoridades policiais locais confirmaram que o áudio havia sido manipulado com inteligência artificial.
Elon Musk
Um golpe relacionado a investimentos em criptomoedas utilizou a imagem de Elon Musk para divulgar anúncios no X e no YouTube sobre supostas oportunidades que prometiam altos lucros em Bitcoin. Os anúncios levavam a um site falso onde as vítimas eram induzidas a realizar depósitos iniciais para participar do falso investimento.
De acordo com a Federal Trade Commission dos Estados Unidos, a fraude, que incluía deepfakes, causou perdas de mais de 80 milhões de dólares (cerca de 440 milhões de reais), entre mais de 7 mil vítimas que acreditaram na promessa.
Presidente da Ucrânia: Zelensky
A política também foi alvo dos golpes com deepfakes. Em março de 2022, durante o conflito entre Rússia e Ucrânia, circulou um vídeo falso no qual o presidente ucraniano, Volodímir Zelensky, aparecia instruindo suas tropas a se renderem.
Naturalmente, o episódio levou o próprio mandatário a responder quase imediatamente, publicando um vídeo legítimo em seus canais oficiais.
Como evitar ser vítima de um golpe com deepfake
Apesar de os golpes que utilizam deepfakes estarem cada vez mais realistas e difíceis de detectar, existem boas práticas que ajudam a reduzir o risco de cair nesse tipo de fraude. Por exemplo:
- Desconfiar de anúncios chamativos que prometem ganhos altos e fáceis demais para serem verdadeiros, assim como daqueles que envolvem personalidades de renome mundial.
- Prestar atenção à qualidade do vídeo: se houver falhas visuais, má sincronização ou baixa resolução, é possível que se trate de um deepfake.
- Utilizar um software de segurança em todos os dispositivos, que ajude a bloquear sites falsos e e-mails com conteúdo malicioso.
- Para empresas, é importante que pagamentos não possam ser autorizados apenas por uma chamada ou videoconferência. Nesse caso, podem ser usados códigos internos ou palavras-chave como método extra de validação.
- Valorizar a capacitação contínua: estar treinado para reconhecer sinais de alerta de deepfakes e fraudes é um hábito essencial.
- Aproveitar as ferramentas atualmente disponíveis para detectar deepfakes e combater a desinformação.




