O WhatsApp está presente em 99% dos smartphones brasileirose essa popularidade fez com que o aplicativo se tornasse o terreno favorito para cibercriminosos. Nos últimos anos, identificar o que é fraude passou a fazer parte da rotina: o que antes eram mensagens óbvias de "ganhe um prêmio", hoje se transformou em táticas sofisticadas de engenharia social, clonagem de contas e roubo de dados que afetam desde usuários comuns até grandes empresas e órgãos públicos.

O Instituto Datafolha levantou que cerca de 56 milhões de brasileiros sofreram algum tipo de golpe financeiro virtual em 2025, o que representa um em cada três cidadãos e tudo isso gerou R$ 28,8 bilhões em prejuízos.

O fator humano, no entanto, continua sendo o elo mais fraco dessa corrente. O grande problema é que a maioria das invasões não acontece por falhas tecnológicas complexas no aplicativo, mas sim por erros simples de segurança cometidos pelos próprios usuários.

Neste artigo, vamos revelar quais são os 5 erros fatais que você pode estar cometendo agora e, mais importante, como blindar o seu WhatsApp em poucos minutos para nunca mais ser uma vítima.

Os erros que abrem as portas para o cibercrime

Apesar do WhatsApp possuir criptografia de ponta a ponta, os golpistas mudaram o alvo: em vez de tentarem "quebrar" o código do aplicativo, eles agora focam em quebrar a atenção do usuário, para que o próprio compartilhe informações ou execute ações.

Esse cenário de vulnerabilidade é confirmado pela pesquisa Privacidade e Proteção de Dados do Cetic.br, que aponta que grande parte dos brasileiros ainda negligencia a gestão de senhas e o fornecimento de dados sensíveis em ambientes digitais.

Para não ser a próxima vítima, confira abaixo os 5 erros mais comuns e aprenda a corrigi-los agora:

1. Não ativar a confirmação em duas etapas

Este é, sem dúvida, o erro mais comum e o que causa o maior estrago e não só no Whatsapp. Segundo levantamentos da Febraban, muitos dos golpes aplicados hoje, como o do "Falso Funcionário de Banco" ou a "Clonagem de WhatsApp" só têm sucesso porque a vítima não possui uma camada extra de proteção.

Muitos usuários acreditam que o código de 6 dígitos enviado por SMS é o único cadeado da conta. O problema é que criminosos utilizam técnicas de engenharia social para convencer você a informar esse código (fingindo ser de um suporte técnico, hotel ou site de vendas). Se você entrega o código SMS e não tem a autenticação em duas etapas ativada, o golpista assume o controle total do seu aplicativo em segundos.

Uma vez dentro da sua conta, o invasor ativa o PIN dele. Isso impede que você recupere o acesso rapidamente, dando tempo para que ele peça dinheiro aos seus contatos, simulando uma emergência financeira um dos golpes mais replicados atualmente.

Como blindar sua conta agora:

  • Vá em Configurações no seu WhatsApp.
  • Clique em Conta > Confirmação em duas etapas .
  • Clique em Ativar e crie uma senha numérica de 6 dígitos que só você saiba. 
  • Dica de ouro: Adicione um e-mail de recuperação para caso você esqueça o PIN.

Importante: O WhatsApp nunca, em hipótese alguma, solicitará o seu PIN de confirmação em duas etapas por telefone, e-mail ou SMS. Se alguém pedir, é golpe.

2. Clicar em links de "ofertas imperdíveis", promoções ou ações imediatas

Se o primeiro erro é uma falha de configuração, o segundo é uma falha de curiosidade e urgência. Acreditar em mensagens que oferecem uma vantagem financeira imediata ou um prêmio inesperado. O golpe geralmente chega via WhatsApp com um link encurtado e um texto chamativo.

Ao clicar nesses links, você é levado a uma página que imita perfeitamente o site oficial da empresa. Ali, você digita seu CPF, senha bancária e até dados do cartão. Em outros casos, o simples clique pode baixar um malware que monitora o que você digita no celular, incluindo suas senhas de aplicativos financeiros.

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Golpe para pagamento de frete dos Correios. Fonte: Reedit.

Como identificar um phishing:

  • Promessas exageradas: Dinheiro fácil e prêmios grátis sem sorteio são os maiores sinais de alerta. Promoções absurdas e muito abaixo do valor real do produto.
  • Erros de ortografia: Golpistas costumam cometer erros de português ou usar uma linguagem informal demais.
  • URLs estranhas: Verifique o endereço do site. Se for algo como www.promocao-banco-xyz.net em vez do site oficial .com.br , feche a página imediatamente.
  • Pedidos de compartilhamento: Se o site diz que você só ganha o prêmio se compartilhar o link com 10 contatos, é golpe de pirâmide digital.

Dica de Segurança: Nunca acesse canais bancários através de links enviados por mensagem. Sempre abra o aplicativo oficial do banco ou digite o endereço diretamente no seu navegador.

3. Deixar a foto de perfil visível para qualquer pessoa

Este erro facilita uma das modalidades de fraude mais comuns. A personificação ou o "Golpe do Novo Número". Diferente da clonagem, aqui o criminoso não invade sua conta, ele simplesmente cria uma nova usando seus dados públicos.

Com a sua foto e o nome, o golpista entra em contato com seus familiares (especialmente pais e avós) dizendo que você trocou de número porque o antigo quebrou ou deu problema. Embora o WhatsApp atualmente não permita capturar a imagem de perfil por meio de print, o criminoso pode usar outro dispositivo ou a versão desktop do app para fotografar a tela e obter a sua foto.

A partir daí, conduz uma conversa convincente, utilizando a sua imagem para transmitir confiança, cria um senso de urgência e solicita um Pix imediato para pagar uma conta ou um fornecedor. Como a foto é sua, a vítima raramente desconfia até que seja tarde demais.

Como configurar sua privacidade agora:

  • Vá em Configurações no WhatsApp.
  • Clique em Privacidade.
  • Selecione Foto do Perfil.
  • Altere de "Todos" para "Meus Contatos".

DICA: Sempre que um contato conhecido pedir dinheiro por um número novo, faça uma ligação de vídeo ou áudio para confirmar a identidade. Nunca faça transferências baseadas apenas em mensagens de texto e fotos de perfil.

4. Não proteger o backup das conversas na nuvem

Muita gente foca em proteger o aplicativo, mas esquece que o "baú" de informações está guardado fora dele. O WhatsApp faz backups automáticos no Google Drive (Android) ou iCloud (iPhone). O erro é que, por padrão, esses backups não são protegidos pela mesma criptografia do aplicativo.

Se um criminoso conseguir invadir o seu e-mail ou sua conta da Apple/Google, ele pode baixar o arquivo do seu backup em outro aparelho. Ele terá acesso a todo o seu histórico: fotos de documentos, conversas íntimas, dados de trabalho e senhas anotadas. É o roubo de dados "pela porta dos fundos".

Como blindar:

  • Vá em Configurações > Conversas > Backup de Conversas.
  • Ative a "Backup protegido por senha com criptografia de ponta a ponta".
  • Crie uma senha única. Agora, nem o Google nem a Apple conseguem ler seus dados se forem invadidos.

5. Manter a pré-visualização de notificações na tela bloqueada

Este é o erro do "acesso físico". Sabe quando o seu celular está em cima da mesa, chega um SMS e o texto aparece na tela antes mesmo de você desbloquear? Isso é uma mina de ouro para golpistas próximos ou em lugares públicos.

Um criminoso (ou alguém mal-intencionado) pode tentar cadastrar o seu WhatsApp em outro celular. O código de verificação chega por SMS no seu aparelho. Se a pré-visualização estiver ativa, o invasor consegue ler o código de 6 dígitos sem precisar da sua digital ou senha. Em segundos, ele rouba sua conta só de olhar para a tela do seu celular parado na mesa do restaurante ou do escritório.

Como proteger suas notificações:

  • Vá nas configurações do seu celular (Android ou iOS) e depois em Notificações.
  • Procure por WhatsApp (e também pelo app de Mensagens/SMS ).
  • Altere para "Não mostrar notificações" ou "Mostrar apenas quando desbloqueado".
  • Assim, o conteúdo da mensagem só aparece para os seus olhos.

A prevenção é a sua melhor defesa

Como vimos, a maioria dos golpes no WhatsApp não depende de tecnologias sofisticadas, mas de erros simples que cometemos na pressa do dia a dia. Criminosos se aproveitam da nossa curiosidade, da urgência emocional e, principalmente, de configurações de privacidade que deixamos "abertas" por padrão.

Bônus: Perguntas Frequentes (FAQ)

1. O que fazer se eu já passei o código de 6 dígitos para um golpista?

Tente reinstalar o WhatsApp imediatamente. Ao solicitar um novo código, você pode conseguir desconectar o golpista. Se ele já tiver ativado a confirmação em duas etapas dele, você terá que aguardar 7 dias para recuperar o acesso, mas deve avisar seus contatos e bancos imediatamente.

2. Como saber se tem alguém lendo meu WhatsApp Web agora?

Vá em Configurações > Aparelhos Conectados. Se houver qualquer navegador ou cidade que você não reconhece, clique sobre ele e selecione "Sair". Isso encerra a sessão na hora.

3. O WhatsApp pede dinheiro ou códigos por mensagem?

Nunca. O suporte oficial do WhatsApp possui um selo de verificação verde e jamais solicitará senhas, códigos de SMS ou transferências bancárias. Qualquer abordagem desse tipo é fraude.

4. Mudar o número do celular resolve se eu for clonado?

Não é necessário mudar de número, mas sim desativar a conta comprometida enviando um e-mail para support@whatsapp.com com a frase "Perdido/Roubado: Por favor, desative minha conta" e o seu número no formato internacional (+55...).